Domingo...
Era domingo e eu acordava às 10 da manhã. Eu acordei irritada com o barulho da sala, uma videochamada alta vinda da sala. Alfafa, como sempre, despertou, me deu um lambeijo e levantou comigo até a sala. Na sala, uma luz do sol atravessava a árvore que ficava na frente da varanda daquele apartamento, iluminando tudo de branco com detalhes vermelhos, e aí a correria começava.
Eu ia até a cafeteira e fazia meu expresso amargo, ia para o meu escritório, onde eu acendia meu "cigarro" e, com o café, lia as notícias e às vezes planejava meus dias da semana, às vezes conversava, às vezes só lia algo, às vezes pensava em como fazer minha vida mudar (ganhar mais, comprar meu apartamento, ser reconhecida). Mas aquele era o meu momento ansiado durante a semana. Em sequência disso (no máximo 2 horas depois), tomava um banho, me arrumava e ia buscar minha velha.
Nessa época, minha mãe veio morar próxima de nós (eu e minha irmã, que também mora no bairro) e aí a gente conseguia acompanhar todos e ficar todos bem próximos. Sempre íamos lá, pegávamos ela e íamos ao mercado fazer nossas compras da semana (era obrigatório, e às vezes eu nem participava desse mercado, rs). Mercado feito, compras guardadas em casa sempre primeiro, depois íamos com as compras para a casa dela, guardávamos e preparávamos um almoço.
Nessa hora, meu pequeno Thu já tinha chegado e a vó dele sempre tinha aquele arroz e feijão que eu, tia Mimi, sempre amei. Minha mãe fritava um ovo, batata, e meu banquete estava pronto :).
Eram tardes monótonas. Às vezes, queria estar em casa fumando e tomando um vinho, café ou sei lá o que. Se eu soubesse que nunca mais teria isso na vida, que em 4 anos minha vida daria uma volta, meu Deus.
Hoje vejo o quanto mudou. Minhas manhãs não têm mais mal humor, por incrível que pareça. As 6 horas da manhã se tornaram minha hora biológica. Acordo e o Alfafa me dá aquele lambeijo, mas ele está velho e continua na cama. Hoje, o apartamento simples se tornou meu duplex. Subo para o escritório e vou ao quintal, onde a máquina de sempre me espera para o café da manhã. Tomo meu café com meus cigarros (às vezes vão 10 pela manhã de uma vez só), reflito (como agora) o quanto minha vida mudou. Lembro que, diferente de antes, hoje meu devaneio é sobre estudo.
Minha esposa acorda e, depois de devanear, danço com ela, encho meu cachorro de biscoito (porque ele só levanta quando a última sai da cama, que nesse caso é a esposa), damos aquele beijo. Às vezes sacaneio ela e dançamos agarradas sem música.
ei que mudou para melhor, mas juro que sinto uma falta. Parece que do nada minha vida mudou de rumo. Eu saí de muita coisa, perdi 1, 2, 3 vezes, embora tenha ganhado muito, eu perdi muito. Hoje não tenho mais minhas manhãs afetivas e troxas de compra de mercado ou a borestia na casa da minha mãe. Hoje não tenho mais ela aqui, não tenho mais a amiga que tive e perdi, não tenho mais minha irmã perto de mim.
A vida muda muita coisa, a gente tem que entender que tudo é fase. Nem mesmo quando sonhei em melhorar de vida (o que aconteceu) imaginaria como mudaria. Sei que muita coisa aconteceu na minha vida para me trazer aqui, mas quanta coisa eu perdi. E te digo, daria tudo na vida para voltar um dia desses, só para sentir aquela sensação. Se eu soubesse como tudo mudaria, acho que agiria da mesma forma. Infelizmente, a vida é assim, e se hoje estou do jeito que estou e pensando que poderia ter feito diferente, foi justamente por ter feito assim que penso como penso hoje.
Me arrependo para CARALHO. Sinto muita saudade que vai morrer comigo, queria pedir perdão aqueles que magoei nesse meio. Mas a vida é assim, ninguém vai ser feliz para sempre. Hoje estou sobrevivendo, mas não tá fácil. Desabafo de um domingo de manhã com saudade.
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